Modelo reúne instituições públicas e privadas para planejar e desenvolver ações conjuntas voltadas ao fortalecimento do turismo de Foz do Iguaçu
O desenvolvimento do turismo em Foz do Iguaçu é resultado de uma construção coletiva. Por trás da evolução do destino está a atuação de diferentes instituições que compartilham estratégias, competências e responsabilidades em áreas como promoção turística, conectividade, eventos, infraestrutura, inovação, qualificação e inteligência de mercado.
Essa articulação está estruturada por meio da Gestão Integrada do Turismo de Foz do Iguaçu, modelo de cooperação que reúne instituições públicas e privadas em torno de objetivos comuns para o desenvolvimento do Destino Iguaçu.
Formalizada por Acordo de Cooperação, a Gestão Integrada tem como partícipes Itaipu Binacional, Município de Foz do Iguaçu, por intermédio da Secretaria Municipal de Turismo, Itaipu Parquetec, Visit Iguassu e Fundo Iguaçu. O objetivo é desenvolver e executar conjuntamente ações, programas e projetos de interesse comum, com foco no planejamento coordenado e participativo.
Mais do que um espaço de diálogo, o modelo busca combinar competências institucionais para que diferentes organizações possam contribuir, dentro de suas atribuições, para prioridades compartilhadas do turismo.
Entre as áreas de interesse previstas estão planejamento estratégico, divulgação e promoção do Destino Iguaçu, captação de eventos, atração de investimentos públicos e privados, educação para o turismo, projetos de infraestrutura, qualificação dos equipamentos e serviços turísticos, produção de informações, pesquisas e estudos e desenvolvimento e integração regional.
Os protagonistas dessa construção coletiva
A força da Gestão Integrada está na complementaridade entre as instituições que participam do modelo.
A Secretaria Municipal de Turismo exerce papel central no planejamento público do setor. Entre suas atribuições estão elaborar e gerir o Plano Municipal de Turismo em colaboração com o COMTUR, coordenar o planejamento anual da Gestão Integrada, participar da elaboração e execução da estratégia de marketing e coordenar, com apoio dos demais partícipes, o Núcleo de Projetos e o Observatório de Turismo.
O Visit Iguassu atua especialmente na relação com o mercado, na promoção do destino e na captação e operacionalização de eventos geradores de fluxo turístico. Também mantém relacionamento com canais de distribuição, aeroportos, companhias aéreas, operadoras, associações e entidades dos segmentos de lazer e MICE.
A Itaipu Binacional participa da articulação institucional e apoia diferentes frentes relacionadas ao turismo, entre elas divulgação e promoção, eventos geradores de fluxo, novas experiências, inovação, pesquisas, estudos e desenvolvimento regional.
O Itaipu Parquetec contribui especialmente nas áreas de inovação, tecnologia, capacitação, inteligência de mercado e sustentabilidade, incluindo apoio ao Observatório de Turismo e ao desenvolvimento de sistemas de informação e indicadores.
O Fundo Iguaçu integra o modelo apoiando iniciativas relacionadas a eventos, estudos e pesquisas, promoção turística, novos atrativos e produtos, capacitação, infraestrutura e conectividade aérea, além de colaborar na articulação entre atores públicos e privados.
O COMTUR – Conselho Municipal de Turismo também possui papel relevante nesse ecossistema. Embora não seja um dos cinco partícipes formais do Acordo de Cooperação, o documento estabelece o Conselho como instância de representação do setor de turismo de Foz do Iguaçu.
Atuação integrada, responsabilidades preservadas
A Gestão Integrada possui um Colegiado formado por representantes dos cinco partícipes. Cada instituição tem direito a um voto, e as decisões sobre ações e projetos são tomadas preferencialmente por consenso e registradas em ata.
Anualmente, os integrantes assumem o compromisso de elaborar conjuntamente um Plano de Ações da Gestão Integrada do Turismo, posteriormente aprovado por cada partícipe.
A partir desse planejamento, as instituições podem atuar de forma individual ou em parceria, conforme suas competências, disponibilidade e regras próprias.
Essa distinção é importante porque a Gestão Integrada não possui um orçamento único nem implica transferência automática de recursos entre seus integrantes. O Acordo estabelece que cada partícipe mantém suas próprias normas e responsabilidades e que as ações podem ser executadas individualmente ou em parceria.
Na prática, uma mesma prioridade pode mobilizar diferentes capacidades: uma instituição pode contribuir com planejamento, outra com conhecimento técnico, outra com promoção, outra com articulação institucional e outra com recursos, sempre de acordo com suas atribuições e procedimentos.
Atuação integrada, resultados compartilhados
A cooperação permite desenvolver ações coordenadas em diferentes frentes do turismo, como promoção do destino nos mercados nacional e internacional, captação de eventos, fortalecimento da conectividade aérea, infraestrutura turística, qualificação profissional, inovação, pesquisas, inteligência de mercado e atração de investimentos.
O modelo parte do entendimento de que desafios dessa dimensão dificilmente dependem de uma única instituição.
A conectividade aérea, por exemplo, exige relacionamento com companhias, aeroportos, poder público e mercado. A promoção turística depende de planejamento, recursos e conhecimento dos canais de distribuição. Projetos de infraestrutura envolvem estudos, projetos técnicos, órgãos públicos e diferentes fontes de investimento. Eventos mobilizam promoção, captação, organização e serviços. Pesquisas e inteligência de mercado exigem coleta de dados, conhecimento técnico e capacidade de transformar informação em decisão.
A integração permite que essas competências sejam articuladas em torno de prioridades comuns, sem retirar a autonomia ou as responsabilidades próprias de cada participante.
O modelo também prevê acompanhamento. O Acordo estabelece a elaboração anual de relatório simplificado sobre as ações executadas e os resultados alcançados, criando um mecanismo de retorno sobre aquilo que foi planejado conjuntamente.
O papel do Fundo Iguaçu
Como um dos integrantes da Gestão Integrada, o Fundo Iguaçu exerce uma função específica dentro dessa construção coletiva: mobilizar recursos e apoiar projetos capazes de transformar parte das estratégias e prioridades do destino em iniciativas concretas.
Desde sua criação, o Fundo já apoiou mais de 320 projetos e iniciativas, envolvendo promoção turística, infraestrutura e equipamentos, eventos, conectividade, pesquisas e estudos, inovação e qualificação profissional.
Sua participação na Gestão Integrada permite aproximar o planejamento compartilhado dos mecanismos de investimento disponíveis no Fundo. Isso, entretanto, não significa destinação automática de recursos: os projetos apresentados ao Fundo devem observar suas normas próprias, critérios de avaliação e instâncias de deliberação.
Essa separação fortalece o modelo. A Gestão Integrada funciona como ambiente de planejamento, articulação e definição de prioridades comuns, enquanto cada instituição preserva a responsabilidade sobre suas decisões, recursos e procedimentos.
Para o Fundo Iguaçu, integrar essa estrutura significa atuar ao lado de instituições com competências complementares e direcionar sua capacidade de mobilização e investimento para iniciativas alinhadas ao desenvolvimento do turismo.
Mais do que atribuir a uma única organização os resultados alcançados por Foz do Iguaçu, a Gestão Integrada parte justamente do princípio de que o desenvolvimento do destino é uma construção coletiva.
É a combinação entre planejamento compartilhado, competências complementares, autonomia institucional e capacidade de execução que sustenta esse modelo de cooperação e contribui para o desenvolvimento de longo prazo do Destino Iguaçu.